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HISTÓRIA DO GANESHA
por Wagner Veneziani Costa
Ganesha
pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo.
Ele é o primogênito de Shiva e Parvati. Shiva é
a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação,
destrói para construir algo novo (transformação).
Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas.
Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma
aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente,
os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis
e perigosas. Adora também os crematórios, mas sua paixão
é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga,
nem mesmo um terremoto o perturba.
Por algum tempo depois de seu casamento com a bela Parvati, vivendo
em um bangalô no Himalaya, longe da civilização,
Shiva começava a sentir falta de suas viagens; foi quando Parvati,
já desconfiada, pergunta-lhe:
— Shiva, por que não viaja por uns tempos? Não sente
saudades dos seus companheiros?
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— É que quando estou perto de você,
não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros
estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não
quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demônios e gnomos,
apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes.
Espero apenas que não peça para mandá-los embora,
pois são como crianças e sabem o quanto lhe amo.
— Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a sua meditação?
Ela era sua maior ocupação.
Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muita saudade
das montanhas, onde sentava para meditar. E sabia que fora pela meditação
que conseguiu se transformar em um Deus tão poderoso. Shiva então,
depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, coloca
sua pele de tigre na cintura, enrola suas cobras favoritas no pescoço,
apanha seu tridente e sai montado em sua vaca, Nandi, seguido de seus
estranhos companheiros. Mas não podemos nos esquecer de que quando
Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso
que aconteceu. Muito tempo se passou quando, finalmente, Shiva levantou-se
da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati
e correu de volta para ela. Nesse ínterim, Parvati transformara
aquela simples choupana num lugar muito confortável e bonito.
E não ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia,
mas a tinha deixado grávida. E, no tempo certo, deu à
luz um lindo bebê, Ganapati. Os anos passaram-se, o deus bebê
cresceu e se transformou num rapazinho muito inteligente. Numa manhã
de primavera, Parvati estava tomando banho enquanto Ganapati se mantinha
perto do portão, aguardando sua mãe. Nesse instante, um
homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas em seu
pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência
selvagem, aproxima-se do portão.
Shiva parou e olhou com estranheza para o bangalô. “Será
que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado
no portão?”
— Deixe-me entrar! — disse Shiva, impaciente e descortês.
— Não — respondeu Ganapati — você não
pode entrar!
Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi direto
para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava tomando banho, e
aquele homem rude não poderia entrar em sua casa. Ele correu
e se postou à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora
mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu
completamente as estribeiras, e seu terceiro olho, o do poder, apareceu
no meio de sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do
rapaz jazia sem cabeça no chão. Ouvindo vozes e gritos,
Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu
horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e em sua frente,
o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la;
e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente.
— Mas o que você fez? O que você fez? — Ela
repetia, torcendo as mãos em desespero. — Este era o seu
filho, e você o destruiu!
Só então Shiva caiu em si e se entristeceu de verdade.
Logo tentou confortá-la:
— Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar
morto. Encontra-se apenas desmaiado. Mas Parvati não queria ouvir
nada daquilo e lhe disse:
— Você o destruiu! De que serve um Deus sem cabeça?
Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha
feito nenhum mal ao rapaz. Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse
a cabeça de seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não
podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito...
Então Shiva teve uma idéia: capturar o primeiro animal
que encontrasse e tirar sua cabeça para colocá-la sobre
os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefantinho bebê,
tirou sua cabeça e a colocou em Ganapati; e naquele momento,
o nome do rapaz passou a ser Ganesha. Parvati tentou de diversas formas
mudar o acontecido e pedia para outros Deuses que dessem ao seu filho
uma cabeça decente.
Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas
lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças,
Vishnu e Indra pediram a Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não
sabia o que estava fazendo e deixaram bem claro que Ganesha não
perderia nada com isso. Apesar de não ser mais tão atraente,
todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era.
Brahma prosseguiu:
— Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão
dos céus e o Deus da literatura.
Acrescenta, Vishnu: — Será o Deus que removerá todos
os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão
em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será
o Deus que sorrirá com boa fortuna para todas as novas empresas.
E foi assim que tudo aconteceu...
A Simbologia do deus Ganesha
Ganesha significa “Senhor de Todos os Seres”.
É filho do Senhor Shiva, a “Realidade Suprema”, e
de Parvati, a “Mãe do Cosmo”. Seus sinais sobre a
testa representam as três dimensões: a região inferior,
a Terra e o Paraíso. Suas orelhas simbolizam a grande sapiência
da educação espiritual. Seus olhos enxergam além
da dualidade, o espírito de Deus em cada um. Sua tromba indica
capacidade intelectiva. Suas presas representam os mundos material e
espiritual, negativo e positivo, Yin e Yang, forte e fraco. Sua enorme
barriga indica capacidade de “ingerir” qualquer experiência,
representando também a abundância. Seus braços representam
os quatro atributos do ser: mente, corpo, intelecto e consciência.
Em sua mão direita (acima), carrega uma machadinha, que decepa
os apegos do mundo material; na outra (abaixo), o sinal do OM, que abençoa
com prosperidade e destemor; na mão esquerda (acima), o laço
significa a fertilidade, a própria natureza; na outra (abaixo),
gadu, um doce feito de grão-de-bico com açúcar
granulado ou doce-de-leite com arroz, que representa a satisfação
e a plenitude do conhecimento. O rato significa que devemos ser astutos
e diligentes em nossas ações. A serpente é o símbolo
da energia física, guardiã dos segredos da Terra. Assim,
Ganesha é o Mestre do Conhecimento, da Inteligência e da
Sapiência. É aquele que proporciona a potência espiritual
e a inteligência suprema. É o grande Removedor dos obstáculos,
Guardião da Riqueza, da Beleza, da Saúde, do Sucesso,
da Prosperidade, da Graça, da Compaixão, da Força
e do Equilíbrio.
GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA
GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA
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